• LEODIAS

Quando tudo vira desculpa...

No início parece que o motivo é razoável para convencer a si mesmo (e a quem ainda acredita em você) de que você não foi fraco. Você precisava usar droga. Afinal, naquela ocasião, você teve uma grande decepção amorosa. Balela!


Depois, vem mais um motivo: seu chefe não lhe correspondeu às expectativas: outra decepção. Outra balela! De decepção em decepção, você se dá conta de que a cada recaída na droga, você descobre mais um motivo pada recair. A impressão que se tem é que isso não vai acabar nunca. E não vai.


O que é difícil entender é que todo mundo passa por decepções, todos fracassam... todo mundo leva um chute na bunda algum dia.


E quando o motivo vira o calendário? Aí, meu amigo, ferrou. “Era Réveillon. Precisava extravasar”. Oi ?


Em 2012 eu tive um dos piores Carnavais da minha vida. Foi o pior. Fui para uma dessas festas de música eletrônica que acontecem por aí. Tudo começou com uma “balinha”. Quando eu vi, já tinha virado a noite, o sol já estava quente, eu estava cansado e precisava trabalhar no dia seguinte na Sapucaí. Simplesmente não consegui ir. Nunca me perdoei por isso. Sobrecarreguei o trabalho de outras pessoas por conta da minha irresponsabilidade. Na quarta-feira de cinzas de madrugada, arrumei minhas coisas, e me internei numa clínica. Sozinho. Fui andando, com a mala na mão, de noite, por alguns quarteirões em Botafogo, até à clínica. Tudo muito deprimente. Outro dia entro na questão da clínica, o que eu quero falar agora é sobre as “desculpas” para usar.


Carnaval não é desculpa para usar droga. Mas se você sabe que alguns ambientes são nocivos e fica mais difícil dizer não, simplesmente, não dá mais para ir. Eu já sei que eu não posso mais ir para essas festas de música eletrônica. Começa na balinha e para parar fica bem difícil. Então, analise a sua própria vida e veja onde começa. Os psicólogos usam o termo “gatilho”. Você precisa olhar para a sua vida e ver onde tudo começa.


Se você quer realmente parar de usar, você precisa tomar uma atitude drástica. Pode ser parar de andar com certas pessoas, parar de beber, mudar de número de telefone e até mudar de casa. Sim!!! Porque não ? Se você mora perto de uma boca de fumo, como você acha que vai parar de usar. Mude-se. É impossível alguém conseguir interromper um vício passando diariamente em frente a um traficante. Impossível.


É nessa hora que a gente se questiona: será que eu quero mesmo parar de usar ou quero encontrar mais uma desculpa? Por isso, meu amigo, mude internamente primeiro. E não faça grandes projetos, mude as pequenas coisas. O reflexo das pequenas ações serão enormes.



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